projetos para ensino fundamental

repertório de resultados de cor

Blog de kellymattos :PROFESSORA KELLY MATTOS, repertório de resultados de cor

Propostas didáticas orientadas para o trabalho com sist. Num. Dec, operações com números naturais e frações.

 

 

Título da atividade: Repertório de resultados de cor.

 

Objetivo:

Ampliar o repertório. memorizado

 

Segmento escolar

1º ao 5º ano..

 

Atividades

1º ano- memorização de adição e subtração com: o número 1, números com 1 algarismo, resultado igual a 10, base 10, múltiplos de 10, propriedade comutativa, dobro.

2º ano- memorização de adição e subtração com: resultado igual a 10, resultado igual a 100, base 100, relação dobro e metade.

3º asno- subtrações que tenham como resultado 1, 10 e 100. múltiplos dos primeiros números de 2 até 10. cálculos de triplo e terço.

4º e 5º anos- contagem de 100 em 100, metades e dobros de  números de 3 ou 4 algarismos. Adições e subtrações que resultem 100. adições e subtrações de múltiplos de 1000, com até 4 algarismos. Divisores de 10, frações de números inteiros. Dobros e metades de frações. Adição e subtração de frações, adição e subtração de decimais.

Para decorar os resultados cada aluno participa com uma peça em um tabuleiro com saída e chegada, as casas deverão ser preenchidas previamente com os resultados. Em um baralho tiram cartas com os números e a operação deve ser realizada. Acertando pulam o número que resultou da operação.

 

Avaliação: preenchimento de uma tabela com alguns cálculos para serem preenchidos em um determinado espaço de tempo. O que ainda não estiver memorizado pode ser tema para atividades do cotidiano como jogos.

 

Materiais:       

Papel 40kg, pincel, pedras(p/tabuleiro), papel A4 lápis, borracha e tesoura (p fichas e cálculos)

Tempo:

Em torno de duas aulas.

 

 

Fonte:

BIBIANO, Bianca. Matemática para não esquecer. NOVA ESCOLA. 24, N.225, p. 92-94. set. 2009.

 

domingo 29 novembro 2009 00:17 , em projetos para ensino fundamental


projeto do poeta ao aluno

Blog de kellymattos :PROFESSORA KELLY MATTOS, projeto do poeta ao aluno

Propostas didáticas orientadas para o trabalho com poesia

 

 

Título da atividade: Do poeta ao aluno

 

Objetivos:

Perceber as especificidades da linguagem poética, visto que, de acordo com os PCNs o trabalho com o texto literário deve estar “incorporado às práticas cotidianas da sala de aula, visto tratar-se de uma forma específica de conhecimento. “(PCN 2, p.24).

Ler poesias interpretando e transmitindo o sentido adequado da sua mensagem.

Conhecer e valorizar a literatura Amazonense através das poesias de Thiago de Melo.

 

Segmento escolar

4º e 5º.

 

Atividades

1ª etapa

Preparar uma caixa bem colorida com vários convites, um para cada aluno, em cada convite escrever na capa: CONVITE, e dentro do mesmo escrever a poesia “convite” de José Paulo Paes:

 

Convite


Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.


Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.


As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.


Como a água do rio
que é água sempre nova.


Como cada dia
que é sempre um novo dia.


Vamos brincar de poesia?

 

Decore a poesia

 

 

 

2ª etapa

Na sala de aula ou em outro espaço tranqüilo da escola, levar a caixa com os convites dentro e perguntar se os alunos sabem para que ela serve? Deixar que os alunos manuseiem a caixa, sem abrir, podem chacoalhar e tentar adivinhar o que acham que tem dentro. Passar a caixa novamente e pedir que cada aluno tire um papelzinho, mas não abram depois que todos tiverem com os convites nas mãos perguntar o que está escrito na capa: os alunos responderão que é um convite, pedir que adivinhem para que é o convite e depois das sugestões pedir que ao som do pin todos abram seus convites. E ao som do segundo pin todos iniciem a leitura juntos. Ao término perguntar se os alunos aceitam o convite, se eles já viram alguém recitando poesias? O que uma pessoa precisa fazer para tornar esse texto bonito de ouvir? Explicar aos alunos que agora você recitará uma poesia e ao término eles deverão aplaudir apenas se gostarem. Recitar a poesia “flor de açucena“ de Thiago de Melo, falando as palavras muito rapidamente e sem dar pausa. Ao final esperar que os alunos aplaudam, perguntar se eles gostaram o que será que você poderia mudar ao recitar a poesia? Talvez recitar mais devagar?, Recite novamente, exageradamente devagar, ah ficou muito devagar dessa vez, recite a poesia de maneira correta da terceira vez: respeitando a pontuação, enfatizando as rimas, respeitando o ritmo e conferindo musicalidade e emoção aos versos, agora sim os alunos irão aplaudir com vontade. Discuta as sensações que cada interpretação despertou, enfatizando que a poesia é um dos gêneros literários que melhor exprimem sentimentos, e que a leitura pode reforçar ou diminuir o efeito pretendido.

 

Flor de açucena


Quando acariciei o teu dorso,
campo de trigo dourado,
minha mão ficou pequena
como uma flor de açucena
que delicada desmaia
sob o peso do orvalho.
Mas meu coração cresceu
e cantou como um menino
deslumbrado pelo brilho
estrelado dos teus olhos.

 

3ª etapa

Perguntar se as crianças imaginam de quem é a poesia lida, cantar que é do Thiago de Melo e perguntar se alguém já ouviu falar dele, qual será sua profissão, sua idade, etc., despertar a curiosidade nas crianças. Então mostrar a foto dele e ler sua biografia. Providenciar uma cópia da poesia “estatuto do homem” e dividi-la em 5 partes (ou de acordo com a quantidade de grupos formados). Organizar as crianças em grupos de em média quatro e entregar uma parte para cada grupo, propor que eles leiam as estrofes , escolham um representante de cada grupo e enquanto o aluno lê a poesia para o seu grupo, os outros observam se a leitura segue as observações feitas pelo professor. Se compreendem o que a mensagem quer dizer, consultem o dicionário para saber o significado de palavras novas. Depois cada representante irá recitar a sua parte da poesia como em um  jogral a fim de que as estrofes se completem e classe ouça a poesia por completo. Colocar o cd de poesias e ouvir a poesia “estatuto do homem”. Realize uma roda de conversas para discutir sobre a mensagem que o autor desejou transmitir.

 

Avaliação: Observar o desempenho da turma com relação a algumas questões: o aluno lê com fluência? Lê alto? Lê com entonação? Posiciona o texto adequadamente (sem cobrir o rosto) ao ler? Controla o ritmo da fala (nem muito rápido, nem muito devagar)? Com base nos problemas encontrados, auxilie cada um nos aspectos que devem ser melhorados.

 

Materiais:       

1 caixa, tesoura, papéis coloridos, convites, poesias de Thiago de Melo, pin, Cd de poesias, aparelho de som, dicionários.

 

Tempo:

Em torno de seis aulas.

 

 

Fontes:

www.jornaldepoesia.jor.br

MARTINS, Ana Rita. Língua Portuguesa para ler poesia. NOVA ESCOLA. 28, N.214, p. 64-65. Nov. 2008.

 

Referências:

MELO, Thiago de. OS ESTATUTOS DO HOMEM. São Paulo: Editora Martins Fontes. 6 ed. 1991.

Brasil. Secretaria de Educação Fundamental.  PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. 2.  LÍNGUA PORTUGUESA : ENSINO DE PRIMEIRA À QUARTA SÉRIE. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental.

Freire, Paulo. A IMPORTANCIA DO ATO DE LER. São Paulo: Cortez, 1989.

 

 

 

 


Biografia de Thiago de Mello

 



 

Thiago de Mello é o nome literário de Amadeu Thiago de Mello, nascido a 30 de março de 1926, na pequenina cidade de Barreirinha, fincada à margem direita do Paraná do Ramos, braço mais comprido do Rio Amazonas, no meio do pedaço mais verde do planeta: a Amazônia.

O poeta, ainda criança, mudou-se para capital, Manaus, onde iniciou seus primeiros estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o segundo grau no então Gyminásio Pedro II.       

Concluído os estudos preliminares mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade Nacional de Medicina. Por lídima vocação, ou por tara compulsiva, como ele prefere, abraçou o ofício de poeta abandonando o curso de medicina para se entregar, por inteiro, ao difícil e duvidoso (em termos profissionais) caminho da arte poética.  

Vivia-se o glamour dos anos 50, num Rio de Janeiro capital do país, ditando para todo Brasil não só as questões de cunho político, mas sobretudo, os eventos artísticos e acontecimentos da produção literária. Hegemonia mantida até hoje mas compartilhada com a cidade de São Paulo e seu efervescente ambiente cultural.          

Em 1951, com o livro Silêncio e Palavra, irrompe vigorosamente no cenário cultural brasileiro e de pronto recebe a melhor acolhida da crítica.

Álvaro Lins, Tristão de Ataíde, Manuel Bandeira, Sérgio Milliet e José Lins do Rego, para citar alguns nomes ilustres, viram nele e em sua obra poética duas presenças que, substanciosas e duradouras, enriqueceram a literatura nacional.

"... Thiago de Mello é um poeta de verdade e, coisa rara no momento, tem o que dizer", escreveu Sérgio Milliet.

O correr dos anos só fez confirmar suas qualidades e justificar os elogios com que fora recebido pela intelligentsia brasileira. O amadurecimento permitiu ao poeta mergulhar profundamente as raízes da sensibilidade e da consciência crítica na rica seiva humana de um povo ao mesmo tempo tão explorado, tão sofrido e tão generoso como o nosso, e sua poesia, sem perder o sóbrio lirismo que a inflamava, ganhou densidade e concentração, pondo-se por inteiro a serviço de relevantes causas sociais.         

Faz Escuro, mas eu Canto; A Canção do Amor Armado; Horóscopo para os que estão vivos, Poesia Comprometida com a minha e a tua Vida; Mormaço na Floresta; Num Campo de Margaridas realizam, por isso, a bela síntese do poeta e do homem que jamais se deixou ficar indeciso em cima do muro de confortável neutralidade. O poeta e o partisan eram uma só pessoa, dedicada sem medir esforços ou riscos à luta pela emancipação do homem, tanto dos grilhões que injustas estruturas do poder econômico-político lhe impõem quanto das limitações com que individualismo, ignorância ou timidez lhe tolhem os passos.         

A biografia de um poeta assim concebido e a tanto cometido não poderia jamais desenvolver-se num plano de tranqüila rotina. A de Thiago de Mello teve, por isso mesmo, suas fases sombrias e borrascosas, realçada por arbitrária prisão e longo e doloroso exílio da pátria a que tanto ama e serve.

Essas provações, que enfrentou com a serena firmeza de quem as sabe inevitáveis e delas não foge, enriqueceram-no ainda mais como poeta e ser humano. Alargando sua weltanschauung, permitiram-lhe comprovar o acerto de sua intuição de que o geral passa pelo particular e de que, como dizia seu grande colega Fernando Pessoa, tudo vale a pena/ se a alma não é pequena.

No livro mais recentemente publicado, De Uma Vez Por Todas, todas as linhas marcantes de sua poesia, o lirismo, a sensibilidade humana, a alegria de viver, a luta contra a opressão, o amor constante à Amazônia natal se reúnem harmonicamente, num tecido de rara força e beleza. O poeta não escreve seus poemas apenas em busca de elegância formal: neles se joga por inteiro, coração, cabeça e sentimento, e isso lhes dá autenticidade e força interior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALGUMAS POESIAS DE THIAGO DE MELO

 

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony





Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.


Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar


e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente


como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Santiago do Chile, abril de 1964


 

 

 


Flor de Açucena


Quando acariciei o teu dorso,
campo de trigo dourado,
minha mão ficou pequena
como uma flor de açucena
que delicada desmaia
sob o peso do orvalho.


Mas meu coração cresceu
e cantou como um menino
deslumbrado pelo brilho
estrelado dos teus olhos.

Filho da floresta, água e madeira


Filho da floresta,
água e madeira
vão na luz dos meus olhos,
e explicam este jeito meu de amar as estrelas
e de carregar nos ombros a esperança.

Um lanho injusto, lama na madeira,
a água forte de infância chega e lava.

Me fiz gente no meio de madeira,
as achas encharcadas, lenha verde,
minha mãe reclamava da fumaça.

Na verdade abri os olhos vendo madeira,
o belo madeirame de itaúba
da casa do meu avô no Bom Socorro,
onde meu pai nasceu
e onde eu também nasci.

Fui o último a ver a casa erguida ainda,
íntegros os esteios se inclinavam,
morada de morcegos e Até que desabada pelas águas cupins.


 

 





de muitas cheias,
a casa se afogou
num silêncio de limo, folhas, telhas.

Mas a casa só morreu definitivamente
quando ruíram os esteios da memória
de meu pai,
neste verão dos seus noventa anos.

Durante mais de meio século,
sem voltar ao lugar onde nasceu,
a casa permaneceu erguida em sua lembrança,
as janelas abertas para as manhãs
do Paraná do Ramos,
a escada de pau-d’arco
que ele continuava a descer
para pisar o capim orvalhado
e caminhar correndo
pelo campo geral coberto de mungubeiras
até a beira florida do Lago Grande
onde as mãos adolescentes aprendiam
os segredos dos úberes das vacas.

Para onde ia, meu pai levava a casa
e levava a rede armada entre acariquaras,
onde, embalados pela surdina dos carapanãs,
ele e minha mãe se abraçavam,
cobertos por um céu insuportavelmente
estrelado.

Uma noite, nós dois sozinhos,
num silêncio hoje quase impossível
nos modernos frangalhos de Manaus,
meu pai me perguntou se eu me lembrava
de um barulho no mato que ele ouviu
de manhãzinha clara ele chegando
no Bom Socorro aceso na memória,
depois de muito remo e tantas águas.

Nada lhe respondi. Fiquei ouvindo
meu pai avançar entre as mangueiras
na direção daquele baque, aquele
baque seco de ferro, aquele canto
de ferro na madeira — era a tua mãe,
os cabelos no sol, era a Maria,
o machado brandindo e abrindo em achas
um pau mulato azul, duro de bronze,
batida pelo vento, ela sozinha
no meio da floresta.

Todas essas coisas ressurgiam
e de repente lhe sumiam na memória,
enquanto a casa ruína se fazia
no abandono voraz, capim-agulha,
e o antigo cacaual desenganado
dava seu fruto ao grito dos macacos
e aos papagaios pândegas de sol.

Enquanto minha avó Safira, solitária,
última habitante real da casa,
acordava de madrugada para esperar
uma canoa que não chegaria nunca mais.

Safira pedra das águas,
que me dava a bênção como
quem joga o anzol pra puxar
um jaraqui na poronga,
sempre vestida de escuro
a voz rouca disfarçando
uma ternura de estrelas
no amanhecer do Andirá.

Filho da floresta, água e madeira,
voltei para ajudar na construção
do morada futura. Raça de âmagos,
um dia chegarão as proas claras
para os verdes livrar da servidão.

 

 

 

A rosa branca

 

Não me inquieta se o caminho
que me coube - por secreto
desí­gnio - jamais floresce.
Dentro de mim, sei que existe,
oculta, uma rosa branca.
Incólume rosa. E branca.


Não pude colhê-la: mal
nascera e logo perdi-me
nos labirintos do tempo,
onde desde então pervago
apenas entressonhando
aquilo que sou - e vive
no recôncavo da rosa.


Sem conhecer-me, padeço
o mistério de existir
em amargo desencontro
comigo mesmo. No entanto,
pesar tão largo se apaga
quando pressinto: na rosa,
mistério não há. Nenhum.
Sem medo de trair-me a face,
posso morrer amanhã.
Extinto o jugo do tempo,
olhos nem boca haverá
- para a queixa e para a lágrima -
se em vez de rosa, de pétala
cinza de pétala, apenas
existir a escuridão.
O vazio. Nada mais

 

O animal da floresta


De madeira lilás (ninguém me crê)
se fez meu coração. Espécie escassa
de cedro, pela cor e porque abriga
em seu âmago a morte que o ameaça.
Madeira dói?, pergunta quem me vê
os braços verdes, os olhos cheios de asas.
Por mim responde a luz do amanhecer
que recobre de escamas esmaltadas
as águas densas que me deram raça
e cantam nas raízes do meu ser.
No crepúsculo estou da ribanceira
entre as estrelas e o chão que me abençoa
as nervuras.
Já não faz mal que doa
meu bravo coração de água e madeira.

 

Sugestão


Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.

Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.

Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.

Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde posssas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.

Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.

Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.

Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.

Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.

É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.

sábado 28 novembro 2009 14:20 , em projetos para ensino fundamental


OFICINA DE POESIA

my pimped pic!

 

O trabalho com textos poéticos busca criar condições para a ampliação dos conhecimentos prévios, lingüísticos e pragmáticos, necessários para leitura e compreensão de textos literários.

O trabalho com poesias tem por objetivos:

*      descobrir o gosto pelas obras poéticas;

*      ampliar os conhecimentos sobre poema e poesia;

*      apreciar a estilística da obra literária;

*      adotar atitudes investigativas frente ao texto;

*      identificar pistas deixadas no poema para construção de sentido, através dos conhecimentos prévios;

*      FORMAR leitores e produtores de poemas.

Autora: Luciana Corrêa Borel

Professoras Responsáveis: Kelly Matos e Antônia Alves

METODOLOGIA

Primeiramente fazer a preparação do ambiente. Colocar uma música de fundo, de preferência clássica, arrumar a sala para que as carteiras formem um círculo e a professora deve fazer parte dele.

A princípio é feita a leitura de algumas poesias em voz alta para os alunos (a quantidade fica a critério da professora).

Após a leitura, a professora perguntará a classe se eles perceberam emoções e/ou sentimentos nos poemas lidos, isto levará o aluno a refletir que poesia é um conceito abstrato que se refere a emoções e sentimentos. Deixar acontecer um pequeno debate sobre o assunto.

São explicados para a turma os conceitos de poesia, verso, estrofe e poema. Estes conceitos podem ser escritos na lousa para a turma copiar, ou entregues a eles em uma folha digitada, preparada para a oficina (critério da professora).

Antecipadamente, a professora preparará uma caixa com pequenas poesias infantis (anexo). A professora colocará uma música animada e ficará de costas para a turma que passará a caixa de mão em mão. A professora irá parar a música e a criança que estiver segurando a caixa tirará um poema e o lerá para toda a turma.

A professora escolherá três poemas dos que estiverem em anexo neste projeto e os lerá para a turma para que eles elejam o melhor. Este poema vai ser trabalhado da seguinte forma:

*       Leitura oral;

*       Debate na intenção de interpretá-lo e descobrir os sentimentos e emoções;

*       Um desenho será feito para que eles ilustrem o que entenderam;

*       Uma reconstrução coletiva do texto (mudança do tema ou das intenções do autor, este fica a critério do professor e do andamento da oficina);

*       Cada criança irá produzir um poema com o tema livre.

Avaliação: será realizado um sarau de poesias, onde as crianças apresentarão suas composições para a turma, sempre com uma música de fundo.

ANEXO

Cecília Meireles

Colar de Carolina

Com seu colar de coral,

Carolina

corre por entre as colunas

da colina.

 

O colar de Carolina

colore o colo de cal,

torna corada a menina.

 

E o sol, vendo aquela cor

do colar de Carolina,

põe coroas de coral

 

nas colunas da colina.

 

Vinícius De Moraes

A Foca

Quer ver a foca

Ficar feliz?

É por uma bola

No seu nariz.

Quer ver a foca

Bater palminha?

É dar a ela

Uma sardinha.

Quer ver a foca

Fazer uma briga?

É espetar ela

Bem na barriga!

 

 

Vinícius De Moraes

O Peru

Glu! Glu! Glu!

Abram alas pro Peru!

O Peru foi a passeio

Pensando que era pavão

Tico-tico riu-se tanto

Que morreu de congestão.

O Peru dança de roda

Numa roda de carvão

Quando acaba fica tonto

De quase cair no chão.

O Peru se viu um dia

Nas águas do ribeirão

Foi-se olhando foi dizendo

Que beleza de pavão!

Glu! Glu! Glu!

Abram alas pro Peru!

 

Rosângela Trajano

 Eu vi um dragão

Eu vi um dragão

Voando no céu

E meu coração

Riscou no papel.

Eu vi um dragão

Com suas asas

Levar um leão

Perdido pra casa.

Eu vi um dragão

Soltando fogo

Mais que carvão

Perdeu o jogo.

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

 

FERNANDO PESSOA

A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.

Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perdeira talvez
Os meus destinos diversos.

Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?

 

MÁRIO QUINTANA

Canção da garoa

Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...

 

CECÍLIA MEIRELES

Ou Isto Ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

 

 

segunda 02 novembro 2009 14:37 , em projetos para ensino fundamental



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